Alice Carvalho
A violência machista não tira férias
Ainda não chegamos ao fim do primeiro mês de 2026, mas infelizmente já vemos se manter a tendência de alta nos casos de feminicídio e violência contra as mulheres, que dispararam no ano passado no Rio Grande do Sul e no Brasil inteiro.
Apenas nos 20 primeiros dias deste ano, foram registrados nove assassinatos de mulheres no estado. Cidades diferentes, idades diversas - a última vítima tinha apenas 15 anos de idade - mas um mesmo ponto em comum: todas elas foram vítimas da violência machista, que não tira férias, mais, ao contrário, tende a aumentar em determinadas épocas do ano, como em períodos de férias, feriados e finais de semana prolongados.
No decorrer de todo o ano de 2025, foram 1.470 casos de feminicídio no país, fazendo do ano que passou, o mais letal para as mulheres desde 2015, quando foi criada essa tipificação penal. Foram cerca de 4 casos por dia. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontam também para um crescimento assustador de 316% nos casos, ao longo de 10 anos.
Aqui no Rio Grande do Sul, foram registrados 80 feminicídios no ano passado, um aumento em relação a 2024. O que mais chama a atenção nesse caso, é que enquanto houve uma queda de 27% em outros crimes contra a vida no RS, os feminicídios aumentaram em 10%. Ainda assim, o governador Eduardo Leite (PSD), achou por bem comemorar os índices de criminalidade, afirmando que 2024 foi “o ano mais seguro da história” do estado. Mais seguro para quem? Certamente não para as nossas mulheres.
Diante deste cenário, nos perguntamos, o que o governo Leite propõe para frear essa escalada? A recriação foi da Secretário das Mulheres, por pressão do movimento feminista, foi uma medida importante, mas não é suficiente. Precisamos que a pasta tenha políticas efetivas de combate à violência doméstica. O que temos tido de notícias da Secretaria, porém, não é nada animador. Segundo denúncia de ex-servidoras, a sua estrutura estaria sendo utilizada para impor práticas religiosas protocolos de atendimento para as vítimas de violência, sem comprovação científica. De nada serve recriar uma Secretaria, se ela estiver à mercê do negacionismo e do fanatismo religioso.
Precisamos de um plano emergencial de combate à violência de gênero que passe pela repressão aos crimes, mas que não acabe nela. Antes do feminicídio se concretizar, existe um longo caminho, é preciso atacar esse mal justamente antes que ele atinja o seu ponto máximo. Infelizmente, parece que para o governo Leite, é mais vantajoso - por cálculo político, talvez - escamotear o tema e comemorar outros resultados, enquanto cada vez mais gaúchas entram para estatísticas que não nos orgulham em nada.






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