• Santa Maria, 25/02/2026
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    Bruna Cassol

    Do impacto climático ao solo contaminado: entenda os riscos ambientais que toda obra deve antecipar em 2026


    Do impacto climático ao solo contaminado: entenda os riscos ambientais que toda obra deve antecipar em 2026

    Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade futura para se tornarem parte do presente. Chuvas intensas, longos períodos de solo encharcado, enxurradas, alagamentos e processos erosivos estão cada vez mais frequentes, especialmente no Sul do Brasil. Em 2026, esse cenário impõe um alerta claro ao setor da construção civil: ignorar os riscos ambientais já não é apenas imprudente, é financeiramente perigoso.


    Quando se fala em impacto climático, a atenção costuma se concentrar nos danos visíveis: ruas alagadas, obras interrompidas, taludes instáveis. Mas há um conjunto de riscos menos evidentes, e muitas vezes mais graves, que surgem da combinação entre clima adverso e ausência de planejamento ambiental adequado. Entre eles, a contaminação do solo e da água.

    Chuvas intensas potencializam processos de lixiviação e percolação. Em áreas com histórico de uso inadequado, solos contaminados, presença de resíduos enterrados ou atividades potencialmente poluidoras, a água da chuva se torna um vetor de transporte de contaminantes. O que antes estava relativamente confinado no solo pode migrar para camadas mais profundas, atingir o lençol freático ou corpos hídricos próximos.


    Esse risco é frequentemente subestimado em empreendimentos urbanos. Cemitérios, áreas industriais desativadas, antigos lixões, postos de combustíveis, oficinas e até terrenos aparentemente “limpos” podem esconder passivos ambientais relevantes. Sem investigação prévia, a obra avança sobre um problema invisível até que ele se manifesta na forma de análises alteradas, exigências dos órgãos ambientais, paralisações e custos elevados de remediação.


    O clima extremo atua como catalisador desses problemas. Quanto maior o volume de chuva, maior a mobilização de contaminantes, maior o risco de dispersão e mais complexa se torna a gestão ambiental da área. E quando isso ocorre durante ou após a implantação do empreendimento, as soluções passam a ser emergenciais, onerosas e tecnicamente limitadas.


    É nesse ponto que o licenciamento ambiental e a gestão ambiental integrada deixam de ser vistos como burocracia e passam a ser compreendidos como instrumentos de proteção do investimento. Antecipar riscos significa estudar o solo, avaliar a área de influência, compreender o comportamento da água e considerar cenários climáticos mais severos já na fase de projeto.


    Licenciar corretamente não é apenas obter um documento. É identificar restrições, definir medidas preventivas, estabelecer controles e evitar que o empreendimento se torne um problema ambiental e jurídico no futuro. Em um contexto de mudanças climáticas, essa antecipação deixa de ser diferencial e passa a ser condição mínima de responsabilidade técnica.


    Ainda persiste no setor a ideia equivocada de que tratar dessas questões “encarece a obra”. O que encarece, na verdade, é ignorá-las. Remediar solo contaminado, recuperar áreas degradadas, tratar água impactada e responder a autos de infração custa muito mais do que planejar corretamente desde o início.


    Em 2026, obras que não considerarem o impacto climático aliado aos riscos de contaminação estarão expostas a um cenário de incerteza crescente. Já aquelas que incorporarem a gestão ambiental como parte central do projeto tendem a ser mais resilientes, seguras e economicamente sustentáveis.


    O recado é claro: o meio ambiente não reage à pressa nem ao improviso. Ele responde às escolhas técnicas feitas, ou ignoradas, no início de cada obra. Antecipar riscos hoje é evitar prejuízos amanhã. E essa é uma decisão que define o futuro dos empreendimentos.




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