• Santa Maria, 25/02/2026
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    Bruna Cassol

    Depois da festa, fica o quê? Carnaval, resíduos e a responsabilidade que não pode ser ignorada!


    Depois da festa, fica o quê? Carnaval, resíduos e a responsabilidade que não pode ser ignorada!

    Carnaval é sinônimo de alegria, encontro, música e celebração. Praias e ruas ficam lotadas de foliões, cidades turísticas recebem milhares de visitantes e o clima é de festa coletiva. Mas, em meio à euforia, uma pergunta precisa ser feita, e ela é incômoda: vamos repetir a vergonha do que aconteceu na virada do ano nas praias?

    As imagens ainda estão frescas na memória. Faixas de areia cobertas por garrafas, copos plásticos, embalagens, restos de comida. Ruas transformadas em verdadeiros depósitos a céu aberto poucas horas depois da contagem regressiva. O cenário que deveria representar celebração virou símbolo de descuido.

    O problema não é apenas estético. Não se trata apenas de “sujeira” que será recolhida no dia seguinte por equipes de limpeza urbana. O impacto é muito maior e começa exatamente onde termina a festa.

    Quando resíduos são descartados de forma inadequada, parte deles é carregada pela chuva para bocas de lobo, sistemas de drenagem, sangas e rios. Outra parte permanece no solo, onde resíduos orgânicos entram em decomposição e materiais plásticos começam um processo lento de fragmentação. O que parecia temporário passa a integrar o ambiente.

    Plásticos não desaparecem. Eles se transformam em microplásticos. Resíduos orgânicos não somem. Eles geram chorume, atraem vetores e podem contaminar o solo e a água. Embalagens metálicas e outros materiais podem liberar substâncias ao longo do tempo. E quando falamos de áreas costeiras, o impacto é ainda mais sensível: o que fica na areia hoje pode estar no mar amanhã.

    Carnaval, portanto, não é apenas um evento cultural. É também um teste de maturidade ambiental coletiva.

    É evidente que o poder público tem responsabilidade: planejamento, estrutura adequada de coleta, lixeiras suficientes, campanhas educativas, fiscalização e logística eficiente são indispensáveis. A engenharia urbana e ambiental existe justamente para estruturar cidades que suportem grandes eventos.

    Mas existe um limite técnico que nenhuma gestão pública consegue ultrapassar: o limite do comportamento individual.

    Nenhum sistema de limpeza consegue compensar o descarte irresponsável em massa. Nenhum planejamento urbano é eficaz se a lógica for “alguém vai recolher depois”. O custo da negligência recai sobre todos, seja em forma de poluição, sobrecarga dos sistemas de drenagem, degradação ambiental ou aumento de despesas públicas.

    Cidades costeiras e turísticas dependem diretamente da qualidade ambiental para manter sua economia ativa. Praias poluídas afastam visitantes. Rios contaminados comprometem ecossistemas. Sistemas entupidos aumentam o risco de alagamentos. O que começa como descuido termina como prejuízo ambiental e financeiro.

    Mais do que evitar uma nova manchete negativa, o desafio é romper um ciclo cultural. Precisamos deixar de tratar grandes eventos como se fossem momentos de suspensão da responsabilidade ambiental. Não existe “pausa” para o meio ambiente. O solo continua recebendo resíduos. A água continua escoando. A natureza continua respondendo.

    Carnaval celebra a vida, a cultura e a convivência. Mas não pode ser à custa do ambiente que sustenta essa própria celebração. A pergunta, portanto, não é apenas se as equipes de limpeza estarão preparadas. A pergunta é se nós estaremos.

    Porque depois que a música para, a conta ambiental começa.



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