Valdir Oliveira
Um pacto necessário para dizer basta ao feminicídio
A cada dia, mulheres são assassinadas no Brasil simplesmente por serem mulheres. Essa realidade brutal, que tira a vida de quatro brasileiras diariamente, exige respostas firmes, contínuas e articuladas do poder público e da sociedade. Nesse contexto, a assinatura do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, realizada na quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, representa um passo inédito e necessário no enfrentamento à violência de gênero no país.
A iniciativa reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em uma ação conjunta e permanente, sinalizando que o combate ao feminicídio precisa deixar de ser apenas discurso e se tornar prioridade real do Estado brasileiro. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi direto ao ponto ao afirmar que a luta contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres é responsabilidade de toda a sociedade, mas especialmente dos homens. A fala não apenas reconhece o problema, como também aponta para sua raiz: uma cultura estrutural de machismo, desigualdade e naturalização da violência.
Os números escancaram a gravidade da situação. Quatro mulheres são assassinadas todos os dias no Brasil em razão da violência de gênero. Não se trata de estatística fria, mas de vidas interrompidas, famílias destruídas e comunidades marcadas pela dor. Mesmo com leis fundamentais como a Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a persistência desses crimes revela que ainda falhamos na prevenção, na proteção das vítimas e na responsabilização efetiva dos agressores.
O pacto nacional surge justamente para enfrentar essas falhas estruturais, promovendo articulação entre instituições, políticas públicas integradas e ações contínuas. No entanto, para que essa iniciativa não se limite a Brasília, é fundamental que ela seja fortalecida nos estados e municípios. No Rio Grande do Sul, e especialmente em Santa Maria e região, os recentes casos de feminicídio acendem um alerta urgente. Não podemos tratar essas tragédias como fatos isolados ou inevitáveis.
É preciso dar um basta. Fortalecer redes de proteção, investir em políticas de prevenção, garantir acolhimento às mulheres em situação de violência e promover uma mudança cultural profunda são tarefas que exigem compromisso político e mobilização social. O pacto nacional aponta o caminho, mas sua efetividade dependerá da capacidade de cada território assumir essa responsabilidade.






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