• Santa Maria, 25/02/2026
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    Marina Callegaro

    A epidemia de feminicídios no RS é um alerta para agirmos contra a violência de gênero


    A epidemia de feminicídios no RS é um alerta para agirmos contra a violência de gênero

    Janeiro de 2026 terminou deixando uma marca dolorosa na história do Rio Grande do Sul. Em apenas 29 dias, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio em nosso estado. Há dois dias, infelizmente, esse número subiu para 12. Estamos falando de uma média de quase três mortes por semana. Uma epidemia de violência que vem se tornando cada dia mais assustadora e temerosa.

    Como representante do povo e, acima de tudo, como mulher, sinto na pele a urgência desse debate. O aumento de 10% nos casos em relação ao ano passado e a repetição de tragédias anunciadas mostram que o que foi feito até agora, embora valioso, ainda não é suficiente. Para enfrentar essa onda, precisamos de uma mobilização coordenada e participativa.

    A nível nacional, a assinatura do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelos três poderes em Brasília é um passo simbólico e necessário. Precisamos que o Judiciário, o Legislativo e o Executivo falem a mesma língua para garantir que a lei seja cumprida e que a proteção chegue antes da bala ou da faca.

    A nível estadual, o Rio Grande do Sul precisa acelerar sua adesão plena às políticas integradas. O monitoramento eletrônico de agressores, hoje com pouco mais de 800 monitorados, precisa ser expandido, e as Delegacias da Mulher precisam de estrutura para funcionar 24 horas, inclusive no interior.

    Mas é no nível municipal, aqui no chão da nossa cidade, que a vida acontece e onde podemos agir com maior rapidez. Nosso mandato tem um acúmulo histórico e positivo nessa luta. Não esperamos as tragédias acontecerem para agir.

    Temos trabalhado incansavelmente na ponta. Realizamos blitzes de conscientização próximas à população, levando informação onde muitas vezes não chega, com campanhas de ativismo pelo fim da violência de gênero e o reforço contra o assédio durante o Carnaval, com a nossa lei do Protocolo “Não é Não”. Além de participarmos ativamente do Fórum de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, articulando redes de apoio com os serviços de atendimento da cidade. E também de termos criado a primeira Procuradoria Especial da Mulher da região centro do estado, órgão legislativo de acolhimentos às mulheres e de fortalecimento da política pública.

    Foi através da nossa luta, e legislação, em conjunto com o Fórum, que garantimos a criação do Centro de Referência da Mulher no Plano Plurianual (PPA) de 2021. Uma política de extrema importância para as mulheres santamarienses. E não paramos aí: no PPA de 2025, incluímos a criação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Agora, nossa fiscalização é para que essa Secretária saia do papel e se torne uma realidade concreta, com orçamento e equipe técnica para acolher as nossas mulheres.

    Enfrentar o feminicídio e a violência não são tarefas de um único órgão ou de um único partido. É um dever coletivo. Precisamos da sociedade unida, de vizinhos que denunciem, de escolas que eduquem para o respeito e de um poder público que não falhe na proteção.

    Em Santa Maria, seguiremos firmes. Por cada uma das 12 mulheres que o Rio Grande do Sul perdeu neste início de ano, e por todas as outras que ainda podemos salvar. A luta pela vida das mulheres é inegociável.



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