• Santa Maria, 25/02/2026
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    Marina Callegaro

    Calor extremo, chuvas intensas e a crise climática que se agrava ano após ano no RS


    Calor extremo, chuvas intensas e a crise climática que se agrava ano após ano no RS

    O Rio Grande do Sul tem enfrentado picos de calor extremo historicamente altos e, se não encararmos a crise climática com coragem política, podemos ver o clima se agravando ano após ano nesta década. 

    Depois das enchentes devastadoras de 2024 no estado gaúcho, que rasgaram o nosso território de norte a sul, entramos em 2026 sob um calor extremo que não é mero desconforto: é sintoma clínico de uma crise sistêmica, anunciada há décadas. 

    A previsão de um verão com temperaturas acima da média, acompanhada da possibilidade real de eventos extremos, ondas de calor, tempestades violentas, secas súbitas, enchentes relâmpago, é mais do que um recado da natureza. Os estudos recentes deixam claro: o clima no sul do Brasil entrou em um ciclo instável, agressivo e crescente. 

    A intensidade da chuva, o colapso hídrico, a destruição da infraestrutura e a vulnerabilidade humana revelada pelo barro são marcas que o tempo não apaga. Nosso estado precisa enfrentar esse tema com seriedade, para que saibamos responder a desastres como esses, mitigando e até mesmo evitando novas tragédias. 

    Não podemos entrar em 2026 com a mesma lógica de contingência improvisada. Os alertas não podem depender de grupos voluntários. As defesas civis não podem operar com estrutura desigual. E a resposta estatal não pode oscilar conforme a pauta eleitoral da semana. 

    É por isso que precisamos de um plano de contingência robusto, permanente e tecnicamente coordenado, com protocolos integrados de evacuação, comunicação unificada, mapas de risco atualizados frequentemente, abrigos climáticos e financiamento contínuo e não ações reativas que só surgem quando o desastre já atingiu vidas e patrimônio. 

    Além disso, é preciso de uma adoção imediata do modelo das cidades-esponja. Permeabilidade urbana, parques alagáveis, recomposição de matas ciliares, drenagem natural, telhados verdes, reservatórios subterrâneos, tudo isso é mais barato do que reconstruir um estado inteiro depois de uma próxima enchente. 

    Estamos no centro de uma crise climática, respirando seu calor e recolhendo seus destroços. A reconstrução pós2024 deve ser tomada com medidas rígidas e em proteção ao meio ambiente e à vida humana.

    O calor extremo deste verão é a sirene. As enchentes foram o alerta. A ciência já fez sua parte. Agora falta o que sempre faltou: a coragem política de tirar o Rio Grande do Sul do improviso permanente.



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