• Santa Maria, 25/02/2026
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    Lucas Bello

    Antes de viajar, pense em quem fica


    Antes de viajar, pense em quem fica

    Todo início de ano é a mesma coisa: consultório cheio, agendas apertadas e uma pergunta que se repete mais do que vacina anual: “Doutor, o que eu faço com meu pet nas férias?”. Falo como veterinário que já viu de tudo um pouco, mas também como alguém que entende a rotina apertada das famílias. Viajar é necessário. Descansar é saudável. O problema começa quando o planejamento não acompanha o desejo de pegar a estrada.

    Historicamente, períodos de férias sempre registraram aumento no abandono de animais. Isso não é opinião emocionada; é dado observado por clínicas, abrigos e prefeituras. O abandono não acontece apenas por maldade. Muitas vezes é resultado de decisão impulsiva lá atrás , adquirir um animal sem considerar que ele viverá 10, 12, 15 anos ou mais. Pet não é objeto sazonal. Ele não “vence” quando chega o verão.

    Não sou ativista, nem trabalho com resgate. Minha função é clínica, objetiva. Mas é impossível ignorar que abandono gera sofrimento, doenças, acidentes e sobrecarga dos serviços públicos. E, do ponto de vista sanitário, é um problema coletivo.

    A boa notícia é que hoje existem alternativas responsáveis. As creches e hotéis para pets evoluíram muito. Muitos contam com acompanhamento veterinário, áreas adequadas e protocolos sanitários corretos. Quando bem escolhidos, são opções seguras e enriquecedoras para o animal. Visitar antes, verificar vacinação exigida e observar o manejo são passos básicos.

    Outra solução, muitas vezes subestimada, é a rede de confiança: vizinhos, amigos, familiares. Um pet em seu próprio ambiente, com visitas regulares para alimentação, higiene e interação, costuma lidar melhor com a ausência temporária da família. Organização é a palavra-chave.

    Para quem pode e deseja viajar com o animal, planejamento também é essencial: documentação, transporte adequado e hospedagens pet friendly.

    Férias deveriam ser sinônimo de descanso, não de culpa. Responsabilidade não tira a leveza da viagem, apenas garante que, na volta, haverá um rabo abanando e saudável esperando na porta. E isso, convenhamos, vale qualquer esforço prévio.



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