Jaqueline Cunha
Um novo ano letivo, um novo olhar para a educação
Mais do que retomar o calendário escolar, o início de um ano letivo é sempre um convite à reflexão. É uma oportunidade para perguntarmos: qual o sentido de ensinar e aprender no mundo em que vivemos hoje?
Assim como os estudantes, as escolas também estão sempre aprendendo. Afinal, é impossível seguir adotando as mesmas estratégias de 20, 10 ou até 5 anos atrás.
A educação está em movimento porque o mundo também está. As pessoas mudam, suas necessidades se transformam, e a escola precisa acompanhar esse processo.
Não se trata de abandonar tudo e recomeçar do zero a cada ano, mas de exercitar um olhar crítico para distinguir o que precisa ser mantido, o que pode ser aprimorado e o que já não faz mais sentido. É ter atenção, também, às reais necessidades das crianças e dos jovens de hoje, buscando proporcionar uma aprendizagem que dialogue com suas vidas.
Em uma época em que a informação está amplamente disponível, a antiga dinâmica escolar — na qual o professor "transmite o conteúdo" e o aluno o memoriza — mostra-se cada vez mais obsoleta. O estudante de hoje tem muitas ferramentas à sua disposição, e isso exige aprender a utilizá-las com consciência.
O papel da escola passa a ser, então, o de ensinar a pensar, desenvolvendo no estudante a capacidade de pesquisar, analisar, questionar e interpretar o mundo com autonomia, ética e responsabilidade.
Essa missão se torna ainda mais crucial quando olhamos para nossa realidade digital: repleta de telas, redes sociais e — mais recentemente — de inteligência artificial. A escola tem um papel fundamental na construção de uma cultura digital crítica, que ensine a navegar por esse emaranhado de informações com segurança e consciência.
Ao lado dessa transformação digital, emergem também temas como saúde mental, cultura de paz, diversidade, antirracismo, igualdade de gênero e meio ambiente. Estes são temas que atravessam a vida dos estudantes e, portanto, não podem ser "conteúdos secundários" no currículo. Eles constituem parte essencial de uma formação humana integral, que prepare para a vida em sociedade.
Diante de tudo isso, fica evidente o quanto educar é uma tarefa complexa. E justamente por isso, não deve ser um caminho solitário.
Educar é, por natureza, um ato colaborativo. Essa colaboração precisa acontecer dentro da escola, entre gestores, professores e funcionários, mas também — e não menos importante — com as famílias.
Quando escola e família se unem como parceiras, cada uma exercendo seu papel, cria-se uma rede de apoio muito mais forte. É nessa parceria que o acompanhamento da frequência, da aprendizagem e de tudo o que permeia a experiência escolar se torna um cuidado compartilhado.
Iniciar um novo ano letivo, portanto, vai muito além de simplesmente retomar a rotina. É a oportunidade de renovar compromissos e alinhar esforços entre todos que fazem parte desse processo: desde as instâncias que formulam as políticas públicas, passando pela gestão escolar, pelo corpo docente e pelos funcionários, até chegar aos estudantes e suas famílias.
A educação acontece quando cada um assume sua responsabilidade e atua de forma integrada, com objetivos comuns. Com esse olhar, desejo um ano de muito diálogo e muito trabalho coletivo. E que, ao longo da caminhada, possamos manter como norte uma pergunta simples e, ao mesmo tempo, bastante desafiadora:
"O que os adultos do futuro precisam aprender hoje?"
Que possamos, juntos, construir essas respostas no cotidiano da escola.






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