• Santa Maria, 02/03/2026
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    Valdir Oliveira

    Central de Matrículas: gestão precisa garantir acesso e organização

    Rian Lacerda (Diário)
    Central de Matrículas: gestão precisa garantir acesso e organização

    O retorno das aulas em Santa Maria foi marcado por cenas preocupantes na Central de Matrículas, localizada na Rua Serafim Valandro, no centro de Santa Maria. Naquele dia, mais de 300 pessoas enfrentaram a madrugada e as primeiras horas da manhã da última segunda-feira (23) em busca de uma das 140 fichas disponibilizadas para atendimento — 70 pela manhã e 70 à tarde. O objetivo era garantir uma vaga nas escolas das redes municipal e estadual para seus filhos.

    A fila era imensa segundo alguns relatos que chegaram até mim, ela iniciava na Rua Serafim Valandro, dobrava a Rua Vale Machado e avançava até a Rua Duque de Caxias. Um retrato claro da angústia de pais e responsáveis que querem assegurar o direito básico à educação de seus filhos.

    Estive no local para ouvir de perto as famílias e compreender a situação. Muitos relataram que não sabiam que parte do processo havia ocorrido de forma online ou em prazos anteriores. Outros afirmaram ter encontrado dificuldades para acessar o sistema digital, seja por limitações de acesso à internet, seja por insegurança quanto à efetivação do cadastro. Diante disso, optaram por buscar atendimento presencial para ter a garantia de que seus filhos não ficariam sem escola.

    É preciso deixar claro: os servidores que atuam na Central de Matrículas se esforçam para atender a todos com dedicação e respeito. O problema não está na ponta do atendimento. A questão central é de gestão e organização do processo, tanto por parte da Secretaria Municipal de Educação (SMED) quanto da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE).

    Após toda a repercussão do caso, a forma de entrega das fichas foi alterada, e as pessoas não precisam mais permanecer horas — ou até mesmo a madrugada inteira — aguardando em fila para conseguir atendimento. A mudança demonstra que, quando há diálogo e cobrança, ajustes podem ser feitos. No entanto, é fundamental que situações como essa não se repitam.

    A tecnologia deve ser ferramenta de inclusão, não de exclusão. Se o cadastro online é uma alternativa, ele precisa ser amplamente divulgado, acessível, simples e acompanhado de suporte para quem encontra dificuldades.

    Educação é prioridade absoluta. Garantir vaga escolar não pode ser uma corrida contra o relógio, tampouco uma disputa por fichas limitadas. É dever do poder público planejar com antecedência, prever a demanda, e assegurar que nenhuma criança fique sem acesso à escola.

    Mais do que apontar problemas, é hora de cobrar soluções concretas: ampliação de vagas onde houver déficit, melhoria nos canais de comunicação com a comunidade e aperfeiçoamento do sistema de matrículas. A população precisa de organização, transparência e respeito.

    Porque quando falamos de matrícula escolar, não estamos tratando apenas de um procedimento administrativo. Estamos falando do futuro das nossas crianças e do compromisso do poder público com a educação.




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