• Santa Maria, 24/02/2026
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    Valdir Oliveira

    Romaria da Terra: fé, memória e compromisso com o futuro


    Romaria da Terra: fé, memória e compromisso com o futuro

            Na última terça-feira (17) novamente participei da Romaria da Terra, poder estar lá é mais do que cumprir uma simples  agenda: é renovar convicções, renovar a fé. A 48ª edição, realizada este ano no Santuário do Caaró, na cidade de Caibaté, reafirmou a força de uma tradição que atravessa gerações no Rio Grande do Sul. Trata-se de um espaço onde espiritualidade, justiça social e defesa da terra se encontram, dando voz principalmente a quem sustenta o país com o próprio trabalho: os agricultores e agricultoras familiares.

            Estar ao lado de lideranças comprometidas com essas causas — como Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Olívio Dutra — reforça a dimensão coletiva desse momento. A Romaria não é apenas celebração religiosa; é também manifestação política no sentido mais nobre da palavra: o de organizar a sociedade em torno do bem comum.

            O tema deste ano, “400 anos de Evangelização Missioneira: Terra Sem Males e Ecologia Integral”, carrega simbolismo profundo. Ele resgata a memória histórica das missões e, ao mesmo tempo, projeta um horizonte ético para o presente. Falar em “Terra Sem Males” hoje é defender um modelo de desenvolvimento que respeite a dignidade humana, preserve o meio ambiente e valorize quem produz alimento de forma sustentável. Já a ideia de “Ecologia Integral” nos convida a compreender que não existe justiça social sem justiça ambiental — e vice-versa.

            Num tempo marcado por crises climáticas, desigualdades e discursos que tentam separar fé e compromisso social, a Romaria da Terra surge como sinal de resistência e esperança. Ela mostra que espiritualidade não é fuga da realidade, mas energia para transformá-la. Cada canto, cada oração e cada fala ecoam a certeza de que outro modelo de sociedade é possível, desde que construído coletivamente.

        Voltar da Romaria é sempre voltar diferente. Saímos de lá com a convicção renovada de que lutar por terra, dignidade e cuidado com a criação não é apenas uma pauta política ou social — é também um ato de fé. E enquanto houver gente disposta a caminhar junta, a Romaria continuará sendo um farol de consciência e solidariedade para o nosso tempo.




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