Desfile fora de época marca início da retomada do carnaval em Santa Maria
Foto: Graciane Lorenzi “Não deixa o samba morrer, não deixa o samba acabar”, o verso eternizado por Alcione parece ganhar novo sentido em Santa Maria. O som dos tamborins, o brilho das fantasias e o samba ecoando novamente nas ruas sinalizam que, depois de mais de uma década de silêncio, a festa popular começa a ganhar fôlego novamente. A manifestação cultural, que por anos deu identidade e alegria, volta a ganhar vida fora do calendário tradicional, reacendendo a esperança de quem manteve o carnaval vivo nas quadras das escolas de samba.
Nesta quarta-feira (4), o Executivo Municipal autorizou a realização de um desfile de escolas de samba fora de época, gesto que representa o primeiro passo concreto para a retomada do carnaval em Santa Maria. O evento está marcado para o dia 28 de março, um sábado, e deve reunir, pelo menos, seis escolas de samba, sem caráter competitivo. O local ainda será definido pela Prefeitura e pelos órgãos de segurança.
A proposta foi construída a partir de uma reunião organizada pela Liga das Escolas de Samba de Santa Maria (Liessma), que reuniu representantes do movimento carnavalesco, do Legislativo e do Executivo municipal. Participaram do encontro o presidente da Câmara de Vereadores, Sérgio Cechin (PP), a secretária adjunta de Cultura, Marília Chartune, o assessor de Governo da Superintendência de Desenvolvimento Econômico, Alexandre Reis, além de outros integrantes da administração pública.
Para o presidente da Câmara, a retomada do carnaval vai além da realização de um evento pontual e representa um compromisso com a própria identidade do município.
“Retomar o Carnaval nunca foi apenas uma questão festiva, sempre foi, acima de tudo, um compromisso com a identidade, a memória, a cultura popular e o direito da cidade de celebrar a si mesma”, afirmou Sérgio Cechin.
Em um segundo momento, a iniciativa recebeu o aval do prefeito Rodrigo Decimo (PSD), confirmando a autorização para a realização do desfile, que passa a integrar o calendário de ações culturais do município.
Um desfile fora de época, enxuto e sem disputa

O evento acontecerá em formato de desfile tradicional, com duas opções de local em análise. Uma delas é a Avenida Rio Branco, com concentração na Rua Venâncio Aires e dispersão em direção à Vale Machado. A outra é a Avenida Liberdade, na região da Praça do Mallet, cenário que guarda a memória dos últimos desfiles realizados na cidade, em 2015.
Segundo a organização, a proposta é iniciar a retomada do carnaval de forma gradual, respeitando a realidade atual das escolas e valorizando o trabalho que vem sendo mantido nas quadras ao longo dos últimos anos, mesmo sem a realização de desfiles oficiais.
O desfile não terá caráter competitivo, mas a organização estuda formas de reconhecer o trabalho apresentado pelas agremiações. Entre as categorias em avaliação para premiação estão casal de mestre-sala e porta-bandeira, porta-estandarte, comissão de frente e bateria. Para viabilizar os troféus, parcerias com a iniciativa privada estão sendo consideradas.
Inicialmente, devem participar do desfile as escolas filiadas à Liessma: Barão do Itararé, Império da Zona Norte, Mocidade Independente das Dores, Unidos de Camobi, Unidos do Itaimbé (campeã do último carnaval, em 2015) e Vila Brasil. Também está sendo discutida a possibilidade de inclusão de blocos carnavalescos nos intervalos entre as apresentações, ampliando a participação popular e o envolvimento da comunidade.
Estrutura e apoio do município
Conforme a Secretaria Adjunta de Cultura, o desfile será realizado com recursos provenientes de emendas parlamentares e contará com uma estrutura enxuta, adequada à realidade financeira do município.
A Prefeitura também deve avaliar, em conjunto com as secretarias de Segurança e de Ordem Pública, os locais mais adequados para a realização do evento, levando em conta critérios de organização, mobilidade e segurança.
Mais do que um desfile fora de época, o evento de março representa um reencontro de Santa Maria com o seu carnaval. Um primeiro passo para que o samba, as cores e a alegria voltem a desfilar pelas avenidas — e também pela memória afetiva da cidade.









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