• Santa Maria, 05/03/2026
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    Onde a arte encontra o espaço

    Transformando paredes em espaços de expressão e vivência, Léo Brum usa a arte urbana para criar ambientes que marcam e conectam.


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    É com a lata de spray na mão e o olhar compenetrado que os contornos ganham forma e a criatividade aflora. Em diferentes espaços urbanos pelo Rio Grande do Sul, o artista plástico e arquiteto Léo Brum transforma paredes em superfícies de expressão. Aos poucos, seus murais passaram a ter identidade própria — cores, traços e composições construídos ao longo de quase dez anos dedicados à arte, seja pela tatuagem, pelos pincéis ou pelo spray.

    A trajetória de Léo começou cedo, ainda na infância, quando já gostava de desenhar. Natural de São Luiz Gonzaga, mudou-se para Santa Maria em 2016, motivado pela ideia de cursar Arquitetura. O ingresso na UFSM, no campus de Cachoeira do Sul, abriu caminhos, mas foi fora da sala de aula que sua relação com os murais ganhou força. Durante um estágio na Secretaria do Meio Ambiente, no zoológico municipal, ele recebeu o convite para pintar um muro recém-erguido.

    O trabalho, feito com pincel e rolo, marcou sua primeira experiência com mural e, foi tão bem recebido que rendeu novos convites dentro da prefeitura. Com o passar do tempo, o muralismo passou a ocupar cada vez mais espaço na rotina, até que decidiu largar de vez o serviço de tatuador. Seu traço encontrou morada em um elemento que hoje se tornou sua marca registrada: o rosto feminino.


    Com quase cinco anos dedicados ao spray, Léo trabalha com uma naturalidade que chama atenção de quem o observa. A agilidade das mãos, o foco e a calma que transmite enquanto pinta parecem parte do próprio processo — tanto que, muitas vezes, ele sequer coloca música. “Fico tão vidrado que me desconecto de tudo”, conta.

    Seu estilo é marcado pelo realismo, abordagem que busca representar a realidade com precisão. Nesse campo, o artista explora texturas, profundidade e a força dos detalhes. “Tento trazer o máximo de detalhes. Analiso tom, meia-sombra, onde inserir cada nuance. Tudo começa no planejamento”, explica. O realismo exige mais tinta e delicadeza, já que o acabamento difere bastante das produções mais ilustradas. O processo inicia ainda no briefing, quando o cliente descreve o que deseja e Léo organiza mentalmente cada etapa da obra. Mesmo com a complexidade técnica, isso não significa lentidão: ele domina tanto o próprio ritmo que finaliza murais grandes em um ou dois turnos.


    Hoje, ele concilia a arquitetura com a arte urbana. Sua agenda é estruturada para atender às duas frentes, já que a criatividade orienta o trabalho da Artko Arquitetura, empresa da qual é um dos sócios. O ambiente reflete essa integração: arte e arquitetura dividem o mesmo espaço e aparecem nos projetos comerciais, onde a equipe inclui elementos artísticos desde o planejamento. “A gente já monta os espaços considerando isso: ‘aqui vai ter um paredão’, então não precisa de quadro ou móvel, porque o próprio mural cria um ponto instagramável”, explica.

    A lógica do “instagramável” permeia grande parte do trabalho de Léo — não como clichê, mas como entendimento de como as pessoas consomem espaços hoje. Ele transforma paredes e ambientes em pontos de experiência. “O produto que eu vendo são espaços que marcam”, afirma. Isso tem impulsionado a demanda por murais: espaços que geram conexão, movimento e fotos que circulam de forma orgânica, ampliando o alcance de marcas e empreendimentos.

    Essa visão também aproxima seu trabalho da arquitetura. Léo não entrega apenas arte: entrega ambiente e identidade. E sua atuação vai além das paredes. As performances de live paint, em que cria telas ao vivo durante eventos, ampliam a relação entre público, processo e criação.


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