• Santa Maria, 25/02/2026
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    Do outro lado da notícia

    A trajetória de Maristela Moura, uma jornalista que soube ouvir o mundo e traduzi-lo com coragem, leveza e brilho próprio


    Do outro lado da notícia Henroma Business
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    Determinada. Persistente. Alto-astral. Três fios que, entrelaçados, tecem a trajetória de Maristela Moura — e explicam como uma menina do interior ajudou a transformar o jornalismo do Rio Grande do Sul.

    Nascida em Planalto, Maristela Moura cresceu entre três irmãos homens, e uma família que sempre apoiou o futuro e estudo dos filhos. “Os meus irmãos já moravam fora pra estudar. O medo dos meus pais era que eu e o meu irmão mais novo também saíssemos de casa.” A solução foi a mudança para Santa Maria. Ali, Maristela estudou, cresceu, fez amigos e encontrou, por acaso, a ponte para a comunicação social. Aos 15 anos, ficou encantada com a sala de estúdio onde Norton César e Jorge André Brittes apresentavam o telejornal. “Um dia eu vou ser repórter também”, provocou, mais menina do que jornalista. A frase ficou guardada. 

    Passou no vestibular em 1984, e estagiou na Rádio Universidade, aprendendo a ouvir, a escrever, a respirar notícias. Até que o então chefe de jornalismo da RBS TV, Carlos Eduardo Pavani, apareceu na porta da casa dela com um convite inesperado. “Nunca tinha me visto na vida. Disseram pra ele que eu ‘fotografava bem pra TV’. Fui fazer o teste e fiquei”, relembra Maristela, que soube aproveitar a oportunidade que lhe foi dada. 

    Em 1985, ainda muito jovem, Maristela cobriu a grande seca que deixou Santa Maria sem água. “A barragem secou completamente. Era de dar tristeza.” Passou dias em cima da barragem, ouvindo engenheiros, acompanhando o desespero da população e as tentativas da Corsan de controlar o racionamento. No mesmo ano, viveu outra cobertura histórica, a primeira eleição em Santana do Livramento após o fim da condição de Zona de Segurança Nacional. Um município que, até então, não elegia seu prefeito, ele era indicado. “Eu era muito nova… e entrei ao vivo para a RBS e para a Globo. Era tudo pela CRT. Tinha que gerar link por link… era muito difícil”, conta a jornalista. Mas ela ia. Ia porque a notícia chamava. 

    Em 1987, recém-formada, virou chefe de jornalismo da RBS em Santa Cruz do Sul a primeira mulher no interior do estado a assumir o cargo. Tinha apenas 23 anos. Ela abriu portas sem se dar conta. Apresentou jornal quando ainda “não tinha mulher apresentando o RBS Notícias”, chefiou redações, comandou equipes, entrou em campo em dias de jogo quando isso ainda causava espanto. Hoje, vê com orgulho as mulheres que entram em massa nas faculdades, editorias, esportes e lideranças. E com experiências como essa, Maristela tornou-se a mulher que é hoje.

    Depois de décadas entre plantões,
    fins de semana de trabalho, viagens inesperadas e madrugadas de edição, ela
    abriu espaço para outras vivências em sua rotina. “A Maristela de dentro de
    casa gosta de cozinhar, de ler, de ver um bom filme”, comenta. Hoje, aprecia
    mais o tempo em casa, mas isso não significa que tenha desacelerado por
    completo. Agora, equilibra o trabalho com momentos de pausa, quase como se,
    depois de tantos anos carregando a responsabilidade do imediato, tivesse
    finalmente conquistado o direito de aproveitar com mais calma os momentos. Com
    o filho morando em outro estado, suas viagens continuam, só que agora com mais
    espaço para o lazer.


    Um legado que fica


    Maristela Moura não é apenas uma jornalista do interior. É uma das mulheres que seguraram as bases do telejornalismo no Rio Grande do Sul, que romperam estruturas sem pedir licença, que enfrentaram tecnologias rudimentares, redatores exigentes, racionamentos, tragédias, eleições históricas e um mundo inteiro que ainda não entendia o que era ter mulheres nos lugares que ela ocupou.

    Fez tudo com naturalidade. Com leveza. Com o carisma que ainda carrega, o brilho próprio que ninguém imita, ninguém toma e que conquistou, aos poucos, todo o estado. Maristela sempre soube ser ela mesma. E isso, mais do que tudo, é o que permanece.


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