• Santa Maria, 25/02/2026
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    Marina Callegaro

    Santa Maria como motor de um desenvolvimento regional justo e sustentável no coração do Rio Grande do Sul


    Santa Maria como motor de um desenvolvimento regional justo e sustentável no coração do Rio Grande do Sul

    Santa Maria sempre foi chamada de “Coração do Rio Grande do Sul”. Mas, para além da frase feita, está cada vez mais evidente que a região central do estado (o Corede Central) precisa ser encarada como aquilo que de fato é: um polo estratégico logístico, educacional e produtivo, capaz de irradiar desenvolvimento para pelo menos 19 municípios, da agropecuária à indústria, da inovação tecnológica à economia solidária. 

    Um modelo de desenvolvimento que não tenha como objetivo final a concentração renda, degradando o território ou deixando nosso povo à margem, mas sim um projeto regional que una logística, infraestrutura e inovação com justiça social, participação popular e responsabilidade climática. 

    Santa Maria como eixo de integração regional 

    Santa Maria está no centro geográfico do Rio Grande do Sul, cortada por rodovias fundamentais, ligada a diferentes regiões produtivas e próxima do Porto de Rio Grande. Isso não é um detalhe: é uma vantagem estratégica que precisa ser colocada a serviço de toda a região. 

    Se somos um polo logístico em potencial, isso significa: 

    - melhor escoamento da produção agrícola e industrial dos municípios vizinhos; 

    - maior capacidade de atrair novos negócios e serviços; 

     possibilidade real de gerar empregos de qualidade, na cidade e nos municípios do entorno. 

    Servindo para estruturar cadeias produtivas regionais, fortalecer a produção local, apoiar a pequena e média empresa, incluir a agricultura familiar e as cooperativas, e garantir que a riqueza gerada aqui fique aqui, circulando na economia local. 

    A região central, especialmente depois das enchentes históricas de 2024, tem gargalos logísticos que não podem mais ser empurrados com a barriga: 

    Rodovias como BR-158, BR-290 e BR-392 precisam de manutenção, recuperação e, em trechos estratégicos, duplicação, para garantir segurança e escoamento da produção. Dialogando com mobilidade urbana, transporte público e segurança viária.

    Não queremos uma lógica de “obra pela obra”, voltada apenas para grandes interesses econômicos. Queremos infraestrutura que garanta direitos, que proteja vidas e que articule cidade e campo de maneira justa. 

    Educação, inovação e o papel da UFSM: logística com conhecimento 

    Santa Maria é um polo educacional reconhecido: UFSM, institutos, faculdades privadas, cursos técnicos. Essa é uma riqueza imensa, que muitas vezes não dialoga o suficiente com o que acontece no campo, na periferia, nas pequenas empresas e nas comunidades. 

    Projetos como o hub logístico da UFSM e ADESM apontam um caminho importante: articular universidade, poder público, setor produtivo e sociedade civil; usar pesquisa e tecnologia para melhorar a logística, o transporte de cargas, a rastreabilidade de produtos, a eficiência energética; formar profissionais capazes de pensar logística sustentável, com menos emissão de carbono, mais integração entre modais, mais planejamento territorial. 

    Esse é o tipo de iniciativa que pode transformar Santa Maria no cérebro e no coração logístico do Rio Grande do Sul – não só como ponto de passagem, mas como centro de inovação, planejamento e inteligência aplicada ao desenvolvimento regional. 

    Reconstrução após 2024 e resiliência climática: 

    As enchentes históricas de 2024 escancararam algo que a ciência já dizia há muito tempo: a crise climática não é uma abstração, é uma realidade concreta que arranca casas, destrói pontes, interrompe estradas, arruína vidas. E, como sempre, é o povo trabalhador e mais pobre que paga a conta mais alta. 

    O Plano Rio Grande e outras iniciativas de reconstrução precisam ser encarados como oportunidade de fazer diferente: 

    - reconstruir pontes, estradas e moradias com padrões de resiliência, prevendo novos eventos extremos; 

    - realocar e reassentar famílias em áreas seguras, garantindo moradia digna e infraestrutura, não empurrando o povo de volta para áreas de risco; 

    - planejar o uso e ocupação do solo de forma integrada, com olhar regional (não adianta um município fazer a lição de casa e o vizinho continuar desmatando à beira de rio).

    O Corede Central, que reúne Santa Maria e outros 18 municípios, já vem discutindo planos estratégicos e prioridades. Mas ainda há um caminho importante para que a população se reconheça nesses espaços e para que as decisões sejam realmente vinculadas a um projeto de desenvolvimento integrado. 

    Este é o desafio que se coloca para nós, gestores públicos, parlamentares, universidades, movimentos sociais, trabalhadores e trabalhadoras da região central: construir juntos um projeto que faça do nosso “coração geográfico” também um coração político de desenvolvimento justo, sustentável e popular. 

    Porque o desenvolvimento regional, para nós, não é só fluxo de cargas e competitividade. É vida digna para o nosso povo, hoje e para as próximas gerações.




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