Helen Cabral
Nossos corpos não são descartáveis
Seis mulheres assassinadas em apenas três semanas. Seis vidas interrompidas pela violência machista no RioGrande do Sul. Esse é o retrato brutal do início de 2026. E não, isso não pode ser tratado como fatalidade, nem como “mais um número”. Isso tem nome: feminicídio. Isso tem causa: o machismo estrutural. Isso tem responsáveis: um Estado que se omite.
Entre esses crimes está o assassinato de Paula, 39 anos, morta a facadas em uma parada de ônibus em Porto Alegre. Uma mulher comum, trabalhadora, que teve sua vida arrancada em pleno espaço público. Paula poderia ser qualquer uma de nós. E é justamente por issoque nenhuma mulher está segura enquanto essa realidade persistir.
O cenário é ainda mais revoltante quando sabemos que, ao mesmo tempo em que mulheres estão sendo assassinadas, surgem denúncias de assédio dentro da própria Secretaria da Mulher — um espaço que deveria existir para proteger, acolher e garantir direitos. E, diante disso tudo, o governo do Estado segue paralisado, ignorando propostas, recusando investimentos e tratando a vida das mulheres como se fosse um problema secundário.
Nós dizemos com todas as letras: isso é negligência institucional. Isso é violência política contra as mulheres. O enfrentamento ao feminicídio exige coragem política, prioridade orçamentária e compromisso real. Exige casas-abrigo funcionando, rede de proteção fortalecida, equipes preparadas, educação para igualdade de gênero e políticas públicas permanentes — não ações simbólicas nem discursos vazios.
Cada mulher assassinada é uma ferida aberta na democracia. Cada feminicídio é a prova de que ainda estamos longe de garantir o direito mais básico: o direito de viver. Seguiremos nas ruas, nos mandatos e nas instituições dizendo o que precisa ser dito: não é normal, não é aceitável e não vamos nos calar. A vida das mulheres importa. Evamos seguir lutando até que nenhuma a mais seja silenciada.






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