• Santa Maria, 06/03/2026
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    Ritmo em Cena

    Dos palcos internacionais à projetos sociais, a Companhia Ritmo de Camobi transforma trajetórias por meio da dança


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    Os primeiros passos

        O que poderia ter sido apenas uma atividade escolar de educação física, para Jéssica Loss, foi o início de uma paixão que transformaria sua própria trajetória e abriria caminhos para crianças e adolescentes descobrirem a dança. Aos 10 anos, ainda no sexto ano da Escola Antônio Gonçalves do Amaral, Jéssica recebeu a tarefa de ministrar uma aula para turmas mais novas. Com vivências anteriores na dança por meio de projetos sociais de Santa Maria, escolheu o movimento como tema. Foi ali que surgiu o primeiro interesse em unir ensino e dança: “Eu gostei muito de desenvolver aulas de dança com as alunas, então perguntei para minha professora se teria como seguir com o projeto, e ela disse que sim”.

        Por sete anos, a quadra da escola municipal foi a sala de ensaios do grupo. Jéssica ministrava as aulas de forma voluntária, levando as turmas para mostras e festivais não competitivos. Com o tempo, a direção da instituição avaliou que a estrutura não era adequada para a realização das aulas, especialmente pelo piso de concreto e pela ausência de isolamento acústico. Ao concluir o Ensino Médio, Jéssica passou a buscar um novo espaço para dar continuidade ao projeto.

        Com o apoio dos pais dos alunos e investimento próprio, encontrou uma sala em uma academia no bairro Camobi, próxima à antiga escola. O local tornou-se a sede definitiva do grupo, que permanece ali até hoje. “Como todos éramos de Camobi e não existiam outras companhias no bairro,  surgiu o  ‘Ritmo de Camobi’”, relembra Jéssica.





    Da cena local ao reconhecimento internacional

        Constituídos como companhia Ritmo de Camobi desde 2013, o grupo passou a ocupar um espaço relevante no cenário da dança regional. Com foco na cultura do hip hop e das danças urbanas, a escola ampliou sua atuação com turmas divididas por faixa etária.

        Além da formação em sala de aula, o Ritmo passou a marcar presença em competições e festivais, experiências que contribuíram para o amadurecimento artístico do grupo. Uma das marcas da companhia é o desenvolvimento de coreografias temáticas, que buscam ir além da execução técnica e propõem narrativas construídas a partir do movimento, estimulando a expressão, a criatividade e o senso coletivo dos alunos. 

        Após conquistarem boas classificações em premiações da região, Jéssica e sua companhia decidiram buscar o novo: em 2018, participaram pela primeira vez de um campeonato internacional. O grupo passou por uma etapa classificatória no Uruguai, onde garantiram a vaga para a Confederação Internacional da Dança, realizada em Buenos Aires, na Argentina.

        Sete anos depois, a experiência se repetiu com uma nova geração de alunos. Em 2025, o grupo voltou ao Uruguai, conquistou novamente a classificação e mobilizou a comunidade para viabilizar a viagem à Argentina, por meio de ações como rifas e eventos beneficentes. Em setembro, a companhia embarcou rumo a Buenos Aires com oito coreografias inscritas - que foram recebidas com sucesso. Do infantil ao juvenil, todas foram premiadas com medalhas de primeiro lugar. Além disso, o Ritmo de Camobi recebeu o título de Melhor Companhia de Danças Urbanas do Campeonato.





        Representando a escola nos palcos, também estava o professor e coreógrafo do Ritmo de Camobi, Raian Leal. O bailarino de 23 anos já integrava o grupo ministrando aulas de danças urbanas e, dessa vez, decidiu competir com seu solo profissional. “É sobre deixar a música e o ritmo tomarem conta”, explica Raian. A coreografia o levou a conquistar o primeiro lugar e também a classificação de “Bailarino Revelação” do festival

      Sob o ponto de vista de professor, Raian destaca a importância da disciplina no processo de formação e celebra a evolução das alunas ao longo dos ensaios: “Os ensaios podem ser cansativos, mas é gratificante vê-las no palco seguras e com qualidade”.





           Junto à companhia Ritmo de Camobi, a instituição parceira Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Pedacinho de Céu (CEDUCA), também vivenciou a competição em solo internacional. Desde 2024, Jéssica já era professora de dança na escola, e a viagem do ano passado fortaleceu ainda mais a parceria. A diretora do CEDUCA, Adiles Cantarelli, destaca com entusiasmo a inserção da dança no cotidiano escolar. “Percebemos que, com o tempo, a dança modifica o comportamento das crianças. Elas ganham mais autonomia, perdem a timidez, e isso contribui significativamente para o desenvolvimento”, afirma.


    Dança que transforma

        Mais do que títulos e premiações, o Ritmo de Camobi defende a dança como ferramenta de transformação social. Jéssica, que teve seu primeiro contato com a dança graças ao trabalho de projetos sociais, mantém o compromisso de levar essa experiência para mais espaços.

            “Além de dirigir o Ritmo de Camobi, eu participo de editais e ações sociais. No ano de 2024, fizemos um grande espetáculo com cinco escolas da periferia”, relembra Jéssica. Junto a outros colegas de profissão, ela desenvolveu o projeto “Dança: a arte em prol da Educação e Cidadania”, que foi selecionado em um edital estadual. Organizado como forma de levar aulas de danças urbanas a estudantes da rede pública de ensino de Santa Maria, a iniciativa alcançou mais de 100 jovens, entre 7 e 17 anos. Após meio ano de aulas semanais, em dezembro de 2024 foi realizada a apresentação final do projeto.

        Mais do que formar bailarinos, o Ritmo de Camobi segue formando trajetórias. A companhia que nasceu do encontro entre dança e educação, hoje transforma realidades e mostra a potência da arte e do movimento.



    





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