• Santa Maria, 05/03/2026
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    Sistema prisional do RS amplia ações de enfrentamento à violência de gênero


    Sistema prisional do RS amplia ações de enfrentamento à violência de gênero Foto: Mariana Kussler/Ascom SSPS e Polícia Penal
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    A Polícia Penal do
    Rio Grande do Sul
    , em conjunto com a Secretaria
    de Sistemas Penal e Socioeducativo do Rio Grande do Sul
    (SSPS), tem
    ampliado ações voltadas ao enfrentamento da violência de gênero no sistema
    prisional gaúcho. As iniciativas envolvem pesquisa científica, grupos
    reflexivos de responsabilização e projetos de trabalho prisional voltados à
    conscientização sobre a violência contra mulheres.

    Atualmente, cerca de
    13% da população carcerária do Estado, mais de 6 mil apenados, possui
    histórico relacionado à violência doméstica
    . Para lidar com
    essa realidade, o sistema penal conta com um efetivo de aproximadamente 500 profissionais especializados, entre assistentes
    sociais e psicólogos, responsáveis por desenvolver atividades de acompanhamento
    e reeducação.

    Pesquisa busca
    traçar perfil de agressores

    Uma das iniciativas
    em andamento é a pesquisa “Sobre Eles – Perfil,
    diagnóstico e propostas de intervenção: painel de acompanhamento de autores de
    violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul”
    .

    O estudo busca
    mapear o perfil dos agressores e subsidiar políticas públicas voltadas à
    responsabilização, à prevenção da reincidência e ao aprimoramento das
    estratégias de intervenção no sistema penal. A pesquisa é financiada por meio
    de edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do
    Estado do Rio Grande do Sul
    (Fapergs) e é coordenada pela professora Joice Nielsson, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
    Grande do Sul
    (Unijuí).

    Segundo o titular
    da SSPS, Jorge Pozzobom, compreender o
    comportamento do agressor é um passo fundamental para romper o ciclo da
    violência doméstica.

    — A erradicação do
    feminicídio exige ações integradas de prevenção, proteção e educação.
    Precisamos entender quem é esse agressor para desenvolver estratégias eficazes
    de intervenção — afirmou.

    Grupos reflexivos
    promovem responsabilização

    Entre as
    estratégias adotadas pelo sistema penal estão os grupos
    reflexivos de gênero
    , espaços educativos voltados a homens
    autores de violência doméstica. Previstas na Lei
    Maria da Penha
    , essas atividades buscam promover reflexão crítica sobre
    relações de gênero e incentivar a responsabilização dos participantes.

    No Rio Grande do
    Sul, a iniciativa é desenvolvida nas unidades prisionais e nas Centrais
    Integradas de Alternativas Penais (Ciaps), da Polícia Penal, com apoio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por
    meio do Projeto Borboleta, e da Universidade
    Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
    (UFCSPA).

    Os encontros são
    conduzidos por analistas da Polícia Penal e fazem parte das estratégias de
    tratamento penal voltadas à prevenção de novos episódios de violência.

    Bancos vermelhos
    reforçam campanha de conscientização

    Outra frente da
    política de enfrentamento à violência de gênero é a participação do sistema
    prisional na Campanha Banco Vermelho,
    instituída no país pela Lei 14.942/2024 e
    integrada às mobilizações do Agosto Lilás.

    Os bancos são
    confeccionados por apenados em oficinas de marcenaria das unidades prisionais e
    fazem parte do projeto Mãos que Reconstroem,
    que alia trabalho prisional, remição de pena e reflexão sobre a violência de
    gênero.


    Em diferentes
    regiões do Estado, os móveis vêm sendo produzidos e instalados em espaços
    públicos e instituições. Recentemente, um dos exemplares foi entregue à
    Delegacia de Polícia Especializada de Proteção à Mulher de Santa Maria. A peça foi produzida por apenados
    da Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí com madeira doada por uma empresa da
    região.

    Política pública
    baseada em evidências

    De acordo com a
    analista psicóloga da Polícia Penal Débora
    Ferreira
    , o trabalho integra um esforço mais amplo de qualificação da
    execução penal.

    — Ao estruturarmos
    um painel de acompanhamento desses apenados, buscamos oferecer ao Estado e às
    instituições do sistema de justiça um instrumento técnico que contribua para
    intervenções mais eficazes, integradas e humanizadas — destacou.

    Segundo ela, além
    da custódia, a atuação da Polícia Penal também envolve a produção de
    conhecimento e o desenvolvimento de políticas públicas capazes de reduzir a reincidência e fortalecer estratégias de prevenção da violência
    contra a mulher
    .







































     

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