Cactos nativos apreendidos em tentativa de tráfico internacional são enviados ao Jardim Botânico de Porto Alegre
Foto: Ascom Sema O Jardim Botânico de Porto Alegre recebeu 214 cactos de 19 espécies diferentes apreendidos durante uma operação de combate ao tráfico internacional de espécies silvestres. Os exemplares, nativos do Rio Grande do Sul, foram interceptados pela Polícia Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos na última quinta-feira (26).
O parque, administrado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema), recebeu as plantas na terça-feira (3). Além dos cactos, também foram apreendidas centenas de sementes das espécies, originárias da região da Serra do Sudeste do Estado.
A destinação ao Jardim Botânico ocorreu devido à estrutura técnica da instituição, que mantém uma coleção especializada em cactáceas e dispõe de equipe capacitada para o manejo e a conservação desse tipo de planta.
Segundo a analista bióloga e curadora das coleções do parque, Rosana Faria Singer, os exemplares passarão inicialmente por um processo de registro e avaliação documental.
— Após o registro, será analisada a possibilidade de devolução ao ambiente natural. Caso não seja viável, os exemplares permanecerão sob a curadoria do Jardim Botânico, integrando o acervo científico da instituição — explicou.
Plantas estavam escondidas em malas
A apreensão ocorreu durante a Operação Hermes, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para combater o tráfico de espécies e fiscalizar cargas que exigem autorizações ambientais.
Os cactos estavam escondidos em quatro malas transportadas por turistas da República Tcheca, que não possuíam autorização para retirar o material do país.
De acordo com o agente ambiental federal Gabriel Batista dos Santos, o caso configura crime ambiental e também biopirataria.
— Trata-se de um crime que viola a Lei de Crimes Ambientais e a Lei de Biossegurança. Houve acesso indevido ao patrimônio genético brasileiro, já que os envolvidos não possuíam licença para transportar esses materiais ao exterior — afirmou.
Retirada ilegal ameaça espécies
O tráfico de cactos é impulsionado principalmente pelo valor ornamental e pela raridade de algumas espécies no mercado internacional. Além de configurar crime ambiental, a retirada ilegal de plantas de seu habitat natural compromete a conservação das espécies.
A coleta clandestina reduz a diversidade genética das populações naturais e pode contribuir para o desaparecimento de espécies em determinadas regiões.
Casos semelhantes já ocorreram
Não é a primeira vez que o Jardim Botânico recebe plantas apreendidas em tentativas de tráfico internacional. Em novembro de 2024, exemplares de 34 espécies de cactos foram encaminhados à instituição após uma operação que flagrou turistas da Rússia tentando retirar ilegalmente plantas do Brasil.









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